Um novo capítulo do Lar das Crianças da CIP

Uma casa se ergue com tijolos e cimento. Um lar, com algo mais difícil de nomear: os vínculos que se tecem no cotidiano, o cuidado que se renova a cada encontro, a certeza de pertencer genuinamente a um lugar no mundo. As duas dimensões, no entanto, não se separam – elas se complementam. Afinal, sem estrutura, não há abrigo; e, sem abrigo, não há espaço para que a vida aconteça.

É dessa cumplicidade, entre o concreto e o humano, que alguns lugares deixam de ser apenas endereços e passam a se afirmar como espaços de memória e significado. Ao longo de quase nove décadas, o Lar das Crianças da CIP tem se constituído como um desses locais, em que a solidez da estrutura se alia às experiências que dentro dela acontecem.

A conclusão da obra de adequação de acessibilidade, somada à retomada das atividades presenciais no dia 13 de abril, traduz essa compreensão. Após meses de obras, o reencontro com as crianças e adolescentes foi marcado por uma rotina especial de acolhimento e integração. Esse momento representa uma escolha consciente: reconhecer o ambiente como parte fundamental do cuidado, garantindo que a vida em toda a sua diversidade, encontros e possibilidades possa continuar a se desenvolver com segurança.

Uma jornada de quase dois anos

O processo se estendeu por aproximadamente dois anos, marcados por planejamento cuidadoso, articulações complexas, desafios técnicos e operacionais, e uma dose generosa de determinação. Desde os primeiros diagnósticos até as definições de projeto, passando pelas exigências regulatórias e pela captação de recursos, cada etapa exigiu responsabilidade, sensibilidade e alinhamento com os valores que orientam nossa atuação como organização da sociedade civil.

Não se trata, afinal, de qualquer espaço. Inaugurado em 1949, o prédio que abriga o Lar atravessou décadas acompanhando gerações de crianças e adolescentes. Intervir em uma estrutura com essa história – preservando sua memória e, ao mesmo tempo, preparando-a para o futuro – foi um dos grandes desafios enfrentados ao longo desse percurso.

Um Lar ainda mais acessível

A obra de adequação de acessibilidade teve como objetivo adaptar os espaços para melhor atender pessoas com deficiência visual e mobilidade reduzida. Além de uma exigência legal, trata-se de um posicionamento ético da instituição. Desse modo, afirmamos que a inclusão não é mero detalhe do projeto institucional, mas parte de sua essência.

Atuamos no contraturno escolar, oferecendo apoio psicossocial e educação não formal a crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social. Nesse contexto, garantir acessibilidade é promover equidade e assegurar que diferentes trajetórias, corpos e experiências encontrem, neste espaço, condições reais de participação e pertencimento.

Parceiros que reescrevem futuros

Ao olharmos para essa conquista, reconhecemos que ela é fruto de um esforço verdadeiramente coletivo. Agradecemos, com admiração, a toda a equipe interna: coordenadores, assistentes sociais, psicólogos, educadores e todos os profissionais que, mesmo durante os meses de obras e adaptações, mantiveram vivo o compromisso com as crianças, adolescentes e jovens do Lar. São eles que dão vida e sentido a tudo o que acontece aqui dentro.

Estendemos nosso reconhecimento a todos os nossos conselheiros e à presidente da Congregação Israelita Paulista (CIP) pelo apoio, confiança e visão que sustentam e impulsionam nossa missão. Sem esse alinhamento de propósito, esta conquista não seria possível. Agradecemos também aos nossos apoiadores C6 Bank, Instituto Atitude Fraterna, Liotécnica e Mayekawa, cuja contribuição, viabilizada pela Lei Rouanet, tem sido fundamental para a construção de uma infraestrutura cada vez mais qualificada para as crianças e adolescentes atendidos.

Aos voluntários e apoiadores que desejam conhecer mais de perto o Lar das Crianças da CIP, informamos que as visitas institucionais serão retomadas a partir de maio. Neste momento, nossa prioridade é garantir que crianças e adolescentes possam se adaptar com tranquilidade à nova rotina e ao novo projeto político-pedagógico, conduzido pela equipe Psicossocial Pedagógica. 

Veja como foi a retomada das atividades presenciais!

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